Momento Rock
Mas
não tão pesado assim. Com 17 anos fui trabalhar fora. Eu, toda tímida, desajeitada,
fui parar numa revenda de moto em São Paulo. Não conhecia o gosto da calça
jeans no corpo. Usava tênis apenas para educação física, a forma como nossa mãe
nos educou não se enquadrava nem tênis, nem jeans, muito menos o desajeitado,
largado. Enquanto minhas colegas descobriam o brilho labial em formato de
morango, meu olho era desenhado com delineador como se fosse à coisa mais
natural do mundo!
E lá fui eu parar num mundo totalmente masculino. Aos poucos,
fui mudando e moldando, conhecendo couro, botas mais grosseiras, capacete. Eu sabia
vender. Só isso. Mesmo tímida, maquiada a moda dos anos 60, virei vendedora
numa importadora da Yamaha e não tardou para ser convidada a trabalhar na 2º
maior revenda da Honda em SP. Aos 19 anos fui apresentada - digamos assim – ao som
mais próximo dos motores das motos. Uma mistura
do novo com o tradicional: Credence Clearwater Revival, Ozark Mountain
Daredevils, Vangelis, Mood Blues, Supertramp, Led Zepelin, Rush, Purple, U2,
Yes, Metálica. Bons tempos que as lembranças me trazem agora.
Momento
Antena 1
Tive
que parar de trabalhar. O sonho de minha mãe era filhos médicos, doutores,
advogados. Enfim. Tive que me dedicar aos estudos e muito frustrada, interrompi
meu mundo de roncos e Rock and Roll. Com a cabeça mergulhada nos estudos (nem
tanto assim) tentei o que minha mãe tanto quis. Mas quem experimenta o vento no
rosto em cima de uma moto, não creio que esqueça assim tão rápido a sensação de
liberdade.
Comecei a trabalhar com 10 anos, voltar a viver sobre a dependência financeira
de meus pais, abrindo mão dos passeios quinzenais que fazíamos em grupos pela
serra, litoral e estradas de São Paulo, dos amigos, não era exatamente o que eu
queria. Mas a educação, respeito pelos meus pais falava mais alto e assim fui me
dedicar ao sonho de um futuro melhor pra mim (era assim que eles tentavam me
convencer) vendedora não era futuro, ainda mais de motos. Então, de
livro aberto, com a mente bem longe e de rádio ligado, começou a fase clean em
minha vida. Mas nem tanto assim.
Sou muito comedida. Gosto de tudo ao ponto: ao
ponto do meu bem estar e sossego.
Falar
de Antena 1 e citar apenas ½ dúzia de clássicos internacionais é bem
incoerente.
Antena 1 foi o marco zero da minha juventude. Embalou relacionamentos,
viagens familiares, bailinhos de fim de semana. Citar 100 músicas apresentadas
pela Radio Antena 1 seria inútil. E junto a essa descoberta que aprendi a
apreciar George Benson, Robert Plant, Lucio Dalla, Barbra Streisand, Lisa
Standifield, Gazebo, Sara Brightman, Gloria Stefan, Spandau Ballet e tantas e
tantas outras vozes maravilhosas.
Champaing -
How Bout Us
Spandau Ballet - True
Momento
Cinema
Ah...
outro grande prazer misturado a boa música.
Comecei
com uma mania boba de ver o filme e comprar a trilha sonora. Claro, dos filmes
que tocavam minha alma. E, assim fiz com alguns filmes que eu considerava
arrebatadores. Alguns CDs tinha que entrar na fila, pois vinham de fora, outros
nem tinha condições de comprar. O que baixamos hoje com a maior facilidade
pela internet, há 20 anos atrás era uma verdadeira maratona para poder ter em
mãos o tão sonhado cd, LP, vinil...
Eu
apreciava som por som, faixa por faixa. Ouvia a mesma música por diversas
vezes. Eis aqui alguns clássicos (considerados por mim, claro), ressaltado mais
uma vez que falo de música...
Perfume
de Mulher
Charles
Chaplin
Tomates
Verdes Fritos
Cinema
Paradiso
Era
uma Vez na América
Os
Reis do Mambo
História
sem Fim
Comer,
Rezar e Amar
O
casamento de meu Melhor Amigo
Notting Hill
Carmen
Blade Runner, Caçador de Androides
Meu
querido Intruso
Bonequinha
de Luxo
Dr
Givago
Charles Chaplin
Meu querido
Intruso
Como
diz o título, foram as canções que sempre que foram feitas pra mim. Todas as
canções, trilhas citadas aqui, têm um porquê de existir nessa relação. Tem histórias
comigo. Não citei as melhores canções do mundo nem as melhores bandas
premiadas, muito menos os filmes que renderam milhões em bilheterias. Citei meu
mundo musical. Expus meus sentimentos que vivi através da música, mesmo que
fragmentados aqui. Mas não deixo de reconhecer o valor do Rei do Baião Luiz Gonzaga,
Inezita Barroso e Rolando Boldrin com suas músicas de raiz, os filmes de
Mazzarope, o eterno corintiano (algo em comum.)
Não
falei de Blues e de Soul, Do New Age, House, Tecnotronick, da Jovem Guarda,
Samba, Choro, Pagode. Deixei alguns estilos pra trás sim. Mas tenho verdadeiro
apreço por Janes Joplin, Charles Musselwhite, Soul II Soul, Como também não poderia
deixar de citar em Noel Rosa, Agnaldo Timóteo, Sérgio Sampaio, Raul Seixas, Louis
Armstrong, Elvis Presley, Bob Dylan, Bee Gees, Elton John, Enia, Andre Riau,
Inxs, Tears For Fears, Amadeo Mingui, Michael Jackson, Beatles, Edson Cordeiro,
Clara Nunes, João Bosco, Flavio Venturini, UB 40, Carly Simon, Biafra, Azimuth,
Kleiton e Kledir, Ivan Lins, Dante Ramon Ledesma, os Muripás, os Serranos...a
lista não acaba mais.
Que a música faça melodia, letra e ritmo na vida de
todos. Que bata junto ao coração descompassado de amor, que ferva nas veias
junto ao sangue. Não precisa de razão para existir, apenas tenha música e se
não tiver, faça uma.
“... Quero que
você me faça um favor,
Já que a gente não vai mais se encontrar.
Cante uma canção que fale de amor,
Que seja bem fácil de se guardar...”
“... Hoje alguém
pôs a rodar
Um disco de Gardel no apartamento junto ao meu
Que tristeza me deu
Era todo um passado lindo
A mocidade vindo na parede me dizer para eu sofrer...”
“... Não quero
lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo...”
“... Hoje, eu
ouço as canções que você fez pra mim
Não sei por que razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou...”