quarta-feira, 6 de agosto de 2014

As canções que fizeram pra mim. (Parte 2)


Momento Rock

Mas não tão pesado assim. Com 17 anos fui trabalhar fora. Eu, toda tímida, desajeitada, fui parar numa revenda de moto em São Paulo. Não conhecia o gosto da calça jeans no corpo. Usava tênis apenas para educação física, a forma como nossa mãe nos educou não se enquadrava nem tênis, nem jeans, muito menos o desajeitado, largado. Enquanto minhas colegas descobriam o brilho labial em formato de morango, meu olho era desenhado com delineador como se fosse à coisa mais natural do mundo! 

E lá fui eu parar num mundo totalmente masculino. Aos poucos, fui mudando e moldando, conhecendo couro, botas mais grosseiras, capacete. Eu sabia vender. Só isso. Mesmo tímida, maquiada a moda dos anos 60, virei vendedora numa importadora da Yamaha e não tardou para ser convidada a trabalhar na 2º maior revenda da Honda em SP. Aos 19 anos fui apresentada - digamos assim – ao som mais próximo dos motores  das motos. Uma mistura do novo com o tradicional: Credence Clearwater Revival, Ozark Mountain Daredevils, Vangelis, Mood Blues, Supertramp, Led Zepelin, Rush, Purple, U2, Yes, Metálica. Bons tempos que as lembranças me trazem agora. 



Jon and Vangelis  -  I Hear You now 
https://www.youtube.com/watch?v=FcrTKEUAI4E&feature=kp

Moody Blues - Talking Out of Turn 
https://www.youtube.com/watch?v=nCYC5DXnGMA


Momento Antena 1

Tive que parar de trabalhar. O sonho de minha mãe era filhos médicos, doutores, advogados. Enfim. Tive que me dedicar aos estudos e muito frustrada, interrompi meu mundo de roncos e Rock and Roll. Com a cabeça mergulhada nos estudos (nem tanto assim) tentei o que minha mãe tanto quis. Mas quem experimenta o vento no rosto em cima de uma moto, não creio que esqueça assim tão rápido a sensação de liberdade.

Comecei a trabalhar com 10 anos, voltar a viver sobre a dependência financeira de meus pais, abrindo mão dos passeios quinzenais que fazíamos em grupos pela serra, litoral e estradas de São Paulo, dos amigos, não era exatamente o que eu queria. Mas a educação, respeito pelos meus pais falava mais alto e assim fui me dedicar ao sonho de um futuro melhor pra mim (era assim que eles tentavam me convencer) vendedora não era futuro, ainda mais de motos. Então, de livro aberto, com a mente bem longe e de rádio ligado, começou a fase clean em minha vida. Mas nem tanto assim. 

Sou muito comedida. Gosto de tudo ao ponto: ao ponto do meu bem estar e sossego. 

Falar de Antena 1 e citar apenas ½ dúzia de clássicos internacionais é bem incoerente. 

Antena 1 foi o marco zero da minha juventude. Embalou relacionamentos, viagens familiares, bailinhos de fim de semana. Citar 100 músicas apresentadas pela Radio Antena 1 seria inútil. E junto a essa descoberta que aprendi a apreciar George Benson, Robert Plant, Lucio Dalla, Barbra Streisand, Lisa Standifield, Gazebo, Sara Brightman, Gloria Stefan, Spandau Ballet e tantas e tantas outras vozes maravilhosas.
Momento Cinema

Ah... outro grande prazer misturado a boa música.

Comecei com uma mania boba de ver o filme e comprar a trilha sonora. Claro, dos filmes que tocavam minha alma. E, assim fiz com alguns filmes que eu considerava arrebatadores. Alguns CDs tinha que entrar na fila, pois vinham de fora, outros nem tinha condições de comprar. O que baixamos hoje com a maior facilidade pela internet, há 20 anos atrás era uma verdadeira maratona para poder ter em mãos o tão sonhado cd, LP, vinil...

Eu apreciava som por som, faixa por faixa. Ouvia a mesma música por diversas vezes. Eis aqui alguns clássicos (considerados por mim, claro), ressaltado mais uma vez que falo de música...

Perfume de Mulher
Charles Chaplin
Tomates Verdes Fritos
Cinema Paradiso
Era uma Vez na América
Os Reis do Mambo
História sem Fim
Comer, Rezar e Amar
O casamento de meu Melhor Amigo
Notting Hill
Carmen
Blade Runner, Caçador de Androides
Meu querido Intruso
Bonequinha de Luxo
Dr Givago
Como diz o título, foram as canções que sempre que foram feitas pra mim. Todas as canções, trilhas citadas aqui, têm um porquê de existir nessa relação. Tem histórias comigo. Não citei as melhores canções do mundo nem as melhores bandas premiadas, muito menos os filmes que renderam milhões em bilheterias. Citei meu mundo musical. Expus meus sentimentos que vivi através da música, mesmo que fragmentados aqui. Mas não deixo de reconhecer o valor do Rei do Baião Luiz Gonzaga, Inezita Barroso e Rolando Boldrin com suas músicas de raiz, os filmes de Mazzarope, o eterno corintiano (algo em comum.)

Não falei de Blues e de Soul, Do New Age, House, Tecnotronick, da Jovem Guarda, Samba, Choro, Pagode. Deixei alguns estilos pra trás sim. Mas tenho verdadeiro apreço por Janes Joplin, Charles Musselwhite, Soul II Soul, Como também não poderia deixar de citar em Noel Rosa, Agnaldo Timóteo, Sérgio Sampaio, Raul Seixas, Louis Armstrong, Elvis Presley, Bob Dylan, Bee Gees, Elton John, Enia, Andre Riau, Inxs, Tears For Fears, Amadeo Mingui, Michael Jackson, Beatles, Edson Cordeiro, Clara Nunes, João Bosco, Flavio Venturini, UB 40, Carly Simon, Biafra, Azimuth, Kleiton e Kledir, Ivan Lins, Dante Ramon Ledesma, os Muripás, os Serranos...a lista não acaba mais.

Que a música faça melodia, letra e ritmo na vida de todos. Que bata junto ao coração descompassado de amor, que ferva nas veias junto ao sangue. Não precisa de razão para existir, apenas tenha música e se não tiver, faça uma.
“... Quero que você me faça um favor,
Já que a gente não vai mais se encontrar.
Cante uma canção que fale de amor,
Que seja bem fácil de se guardar...”

“... Hoje alguém pôs a rodar
Um disco de Gardel no apartamento junto ao meu
Que tristeza me deu
Era todo um passado lindo
A mocidade vindo na parede me dizer para eu sofrer...”

“... Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi 

Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi

E tudo o que aconteceu comigo...”
“... Hoje, eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei por que razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou...”


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