Embora minha época tenha sido dividida em três etapas, acho
que me saí bem dentro do esperado pela minha família.
1º etapa: RS - Anos 70.
No RS éramos criados “solto das patas” como dizem por lá. Principalmente
no interior do sul. Crescíamos entre cidades fronteiriças, brincando na rua, tomando
banho em rio, chupando bergamota no pé, comendo manga com casca, queimando a
boca com figo. Mas fora isso, brincávamos com telefone sem fio (feito com potes de iogurte e um barbante
ligando-os) o vai-e-vem, aquele
amarelo laranja mesmo, com alça verde, as 5
marias, peteca. Dentro de casa podíamos chamar uma coleguinha por vez para
brincar de vareta, dominó, a palavra é
e até mesmo um quebra-cabeça. Depois passamos para fase egoísta, onde um
apenas brinca um por vez: aquaplay, cubo mágico e elo maluco. No fim do ano, aquele que passava de ano e já
atingia os 8 anos podia então sonhar em encher a casa e os bolsos do pai com
bilhetinhos apelativos: “Pai, não
esqueça da minha Caloi” e ele nunca esqueceu...de nenhum dos filhos.
A vida era dividida também entre sonhos e realidade. Entre um
livro e outro, uma nota 9, lição de casa feito todo dia ao retorno da escola,
entrega de boletins somente com a presença dos pais, víamos na única TV que a
casa tinha O sítio do pica-pau amarelo.
Lá ia eu embarcar nos contos de Monteiro Lobato naquele trem que passava todos
os dias, as 5 da tarde. Quem não torcia
pelo herói japonês Ultraseven
derrotar aqueles monstros que apareciam para acabar com tudo? Ou quem nunca
sonhou em ir ao Elo Perdido e fazer
companhia para Tchaca? Ou
simplesmente balançar o cabelo e mexer o nariz como Sabrina a Feiticeira e Jeannie
é o Gênio?
Quando nos foi
permitido, assistíamos ensandecidos, uma das melhores senão a melhor minissérie
sobre beleza e vaidade feminina: As
Panteras! Ah, foi ali que descobri o poder da palavra “não!”, pois eu
queria muito ter um batom da Farrah Fawcett, por anos seguintes, elas ditaram a
moda entre cabelos, maquiagens e foram sinônimos da independência feminina. Mas
meu sonho não se resumia em ser uma das “panteras” não! Eu queria mais, queria
voar direto para Ilha da Fantasia e
desvendar antes mesmo de Ricardo Montalban e Tatu os crimes que rondavam aquela
ilha paradisíaca.
Era proibido ver Dancin Days, mas eu cheguei a usar sim
aquelas meias que brilhavam na tela da TV.
Nessa mesma época, os jingles comerciais incendiavam a TV e
entravam na mente da gente com maior facilidade. Não tinha como não sair
cantarolando “Apanho um sabonete pego uma
canção e vou cantando sorridente. Duchas corona um banho de alegria num mundo
de água quente...”
Ou
“Roda, roda, roda
baleiro, atenção! Quando o baleiro parar ponha a mão! Pegue a bala mais gostosa
do planeta, não deixe que a sorte se intrometa...” https://www.youtube.com/watch?v=IptSDxS248c
Eu quase quebrava o
orçamento familiar querendo que minha mãe comprasse o café seleto. “... na hora de tomar café, é o café
seleto, que a mamãe prepara com todo o carinho...” e eu nem tomava café
puro....



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