quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sweet Memories - Anos 70.



Embora minha época tenha sido dividida em três etapas, acho que me saí bem dentro do esperado pela minha família.

1º etapa: RS - Anos 70.

No RS éramos criados “solto das patas” como dizem por lá. Principalmente no interior do sul. Crescíamos entre cidades fronteiriças, brincando na rua, tomando banho em rio, chupando bergamota no pé, comendo manga com casca, queimando a boca com figo. Mas fora isso, brincávamos com telefone sem fio (feito com potes de iogurte e um barbante ligando-os) o vai-e-vem, aquele amarelo laranja mesmo, com alça verde, as 5 marias, peteca. Dentro de casa podíamos chamar uma coleguinha por vez para brincar de vareta, dominó, a palavra é e até mesmo um quebra-cabeça.  Depois passamos para fase egoísta, onde um apenas brinca um por vez: aquaplay, cubo mágico e elo maluco.  No fim do ano, aquele que passava de ano e já atingia os 8 anos podia então sonhar em encher a casa e os bolsos do pai com bilhetinhos apelativos: “Pai, não esqueça da minha Caloi” e ele nunca esqueceu...de nenhum dos filhos.



A vida era dividida também entre sonhos e realidade. Entre um livro e outro, uma nota 9, lição de casa feito todo dia ao retorno da escola, entrega de boletins somente com a presença dos pais, víamos na única TV que a casa tinha O sítio do pica-pau amarelo. Lá ia eu embarcar nos contos de Monteiro Lobato naquele trem que passava todos os dias, as 5 da tarde.  Quem não torcia pelo herói japonês Ultraseven derrotar aqueles monstros que apareciam para acabar com tudo? Ou quem nunca sonhou em ir ao Elo Perdido e fazer companhia para Tchaca? Ou simplesmente balançar o cabelo e mexer o nariz como Sabrina a Feiticeira e Jeannie é o Gênio?




Quando nos foi permitido, assistíamos ensandecidos, uma das melhores senão a melhor minissérie sobre beleza e vaidade feminina: As Panteras! Ah, foi ali que descobri o poder da palavra “não!”, pois eu queria muito ter um batom da Farrah Fawcett, por anos seguintes, elas ditaram a moda entre cabelos, maquiagens e foram sinônimos da independência feminina. Mas meu sonho não se resumia em ser uma das “panteras” não! Eu queria mais, queria voar direto para Ilha da Fantasia e desvendar antes mesmo de Ricardo Montalban e Tatu os crimes que rondavam aquela ilha paradisíaca.

Era proibido ver Dancin Days, mas eu cheguei a usar sim aquelas meias que brilhavam na tela da TV.

Nessa mesma época, os jingles comerciais incendiavam a TV e entravam na mente da gente com maior facilidade. Não tinha como não sair cantarolando “Apanho um sabonete pego uma canção e vou cantando sorridente. Duchas corona um banho de alegria num mundo de água quente...” 

Ou

 “Roda, roda, roda baleiro, atenção! Quando o baleiro parar ponha a mão! Pegue a bala mais gostosa do planeta, não deixe que a sorte se intrometa...https://www.youtube.com/watch?v=IptSDxS248c

Eu quase quebrava o orçamento familiar querendo que minha mãe comprasse o café seleto. “... na hora de tomar café, é o café seleto, que a mamãe prepara com todo o carinho...” e eu nem tomava café puro....




























Nenhum comentário:

Postar um comentário