2º etapa- SP- Anos 80.
Em 1981 deixei junto no sul o sonho do vestido de prenda, as
férias na fronteira, a bergamota no pé, o figo que queimava a boca, a banguela
de São Sebastião do Caí e fui cair em SP, meu estado natal. Conheci outros
costumes, provei outros gostos, outras brincadeiras.
Foi então que senti o que era paixão. Meu peito batia, não,
ele pulava toda vez que Macgiver
entrava em cena. Ah torcia tanto para que ele se salvasse no final e por sorte
ele sempre tinha tudo ali pra fazer uma bomba. Poxa!
Ficava
dividida entre ele e Bruce Willis em
seu papel de detetive na série “A gata e
o Rato”, outro ícone dos anos 80.
Mas
quem levou a melhor no quesito paixonite juvenil foi Vincent (Ron Perlman) do
seriado “A Bela e a Fera”. Não resta dúvida que a criatura nesse caso
era sem dúvida alguma melhor que seu criador. (no caso o ator)
Já com sintomas de adolescente, numa cidade feita de concreto
puro que é São Paulo, largamos de lado as brincadeiras de criança e fomos
conhecer os famosos “Shoppings” que eram novidades lançados nas novelas e em
seriados também. Barrados no Baile
era prova real disso. Ah, elas ditavam sim as modas! E com o sentido de
consumistas, descobrimos que para ter o LP da novela “Ti, Ti, Ti” tínhamos que batalhar. Se quiséssemos Os bailinhos da
época que podíamos fazer em casa, eram ao som de: Blitz, Metrô, RPM, Klayton e Kledir, The Manhattans, Peter Cetera,
Spandau ballet, Duran Duran e muitos outros por aí afora.
Passei boa parte dos meus dias de vida em São Paulo.
Conhecendo culturas diferentes, consumindo culturas diferentes. Adquirindo
hábitos diferentes. Na minha turma de escola tinha coreanos, chineses, árabes,
italianos, portugueses. Todos com seus sotaques presentes, hábitos, jeitos. E
mesmo entre tantas nações, falávamos a mesma língua quando se citava criação,
educação, família: falávamos em respeito. Bastava o professor entrar
na classe que a turma toda sentava. Cantávamos o hino Nacional e da cidade
todos os dias, enfileirados e com a mão no ombro do colega da frente. Fazíamos
festa do folclore valendo nota em Português e História pelas pesquisas. Dessa forma
sabíamos exatamente o que era Bumba meu
Boi, ou quem era Curupira, Saci Pererê e outros mitos e lendas.
Nunca vi meu filho pesquisar a mando das escolas que ele já passou sobre isso e
olha que ele sempre passa por média...
Fazíamos trabalho em grupo na casa do colega ou na escola
consultando a biblioteca real. Essas forradas de livros, com cheiro de livros.
Tínhamos que ter carteirinha da biblioteca municipal e valia mais pontos se fôssemos
até uma para fazer o trabalho. Minha mãe e as outras mães não nos rastreavam.
Ao contrário: confiavam em nossa palavra. Sabíamos onde estávamos com quem e
fazendo o que. Hoje, os filhos não se reúnem mais, não existem trabalhos em
grupos, idas a bibliotecas. Hoje existe internet.
As escolas aceitam trabalhos
copiados da internet desde que se de os devidos créditos da consulta (um
absurdo isso). Meu filho chegou até tirar um ponto a menos num trabalho escolar
simplesmente porque eu quis que ele redigisse a mão... a professora queria
digitado...que diferença fazia? O que vale não era a pesquisa? O trabalho não
era sobre informática... a matéria não era de informática.


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