quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um brinde a saúde. Um brinde a educação, um brinde ao Galvão...




Feio de ver e saber que o povo brasileiro não tem educação ao vaiar o hino da seleção chilena. Tão feio é ver a forma como são deixados os estádios (reflexão momento copa!) cheios de lixos, banheiros quebrados. Chegaram a apedrejar uma cantina por não ter mais comida...Mas como exigir educação do povo se não temos mais quem nos eduque? Todos aqui sabem que não só o Japão como em outros países de primeiro mundo, investem muito em educação. E não foi dificuldade alguma para os japoneses ao final do jogo entre Japão e Grécia, saírem juntando o lixo por eles ali deixados. Claro que foi surpresa para nós! Um povo sem educação alguma, sem segurança, sem saúde...


As palavras ditas pelo narrador Galvão Bueno nesta semana marcaram não só a mim como milhares de brasileiros que em meios aos sons de suas vuvuzelas, aos goles de cerveja empolgados pelo jogo entre Brasil e Chile e os gritos dos torcedores anônimos foram ouvidas de uma só vez, descendo como num gole seco. Crente que o nosso povo não daria ouvidos ao seu comentário de mau gosto, mas o povo ouviu sim e deixou sua indignação vazar nas redes sociais.  Mesmo depois de “superados-esquecidos” os comentários de Pelé e Ronaldo o fenômeno falando a respeito de saúde.

Mas o que me choca mesmo é uma pessoa levar horas na fila do SUS pra ser atendido, meses. O que choca é ver a quantidade de pessoas que se submetem a enfrentar fila, a brigar por uma senha, muitas vezes conquistadas a unha, porque  o médico do posto só atende 10 ao dia. 

A saúde privada não está melhor que isso não! Fui acompanhar uma amiga a uma clínica particular de tratamento ao câncer em Niterói chamada Oncomed. Minha amiga tem plano de saúde (nem sei se posso dizer graças a Deus pela forma como andam os planos...) e fora a uma consulta agendada com 2 meses de antecedência pela clínica, essas consultas  de rotina, pois ali mesmo nessa clínica tratara de seu câncer. Embora tenha esquecido os exames atuais que são de praxes  como , Mamografia e Ultrassom da mama, levamos os passados e um raio-x atual.  Munidas fomos a consulta na esperança de sair da mesma forma que entramos: sem doença alguma. Com quase 1 hora de espera, não ficamos nem meia hora na sala do médico. O que poderia ser um bom sinal já que o assunto era delicado. Mas qual foi a nossa surpresa quando nos deparamos com o médico apenas auscultando seu coração? Evidente que foi tremenda! Em momento algum o medico pediu para “ver” o local, quis sequer tocar para sentir algum outro corpo estranho..procurar os gânglios linfáticos. Das duas uma: ou estávamos numa sessão espírita ou o médico tinha visão de raios-X.

Minha amiga estava com um nódulo no pulmão, e foi relatado ao médico, que pediu que ela procurasse um pneumologista. Falamos do cansaço, das dores, expomos as dúvidas mais frequentes que se possa imaginar, e ele continuou firme em sua opinião: procure um pneumo e volte em 1 ano. Quanto aos exames que nos esquecemos de levar, ele pediu por email apenas para anexar a pasta da paciente.

Outro caso interessante aconteceu comigo. Tive 2 diagnósticos logo de cara: psoríase ou câncer. Assim na bucha, a seco. E isso depois de visitado inúmeros médicos em 3 anos sem saber realmente do que se tratava. Eles né, porque não é a minha área de conhecimento, a Medicina. Mas voltando ao caso, depois da 5º consulta com essa Dra onde eu estava depositando todas as minhas esperanças, mesmo não surtindo efeito algum os tratamentos indicados por ela, a mesma explica-me que meu plano de saúde não estava repassando os valores das consultas e, não só no meu caso, mas de todas as dependentes do plano. Como não repassavam, ela não queria arcar com à custa laboratorial de um exame mais minucioso então, simplesmente fecha meu diagnóstico em CACOETE! Receitou rivotril, pronto. Pronto pra ela que nunca mais me viu. Não consigo confiar em médicos que visam apenas o paciente como mais um número no fim do dia na folha de recebimento. 


Saúde? É o que queremos por inteiro. Mas é o que ouvimos apenas quando espirramos.

Não Galvão Bueno, não é absurdo um jogador de futebol levar 1 minuto para ser atendido em campo, absurdo é o povo morrer em filas de meses, anos, esperando um tratamento, pessoas incapazes serem negadas seu direito ao auxilio doença.  Absurdo é essa A Lei Geral da Copa que concede aposentadoria especial para os jogadores – titulares ou reservas - campeões pela seleção brasileira da Copa do Mundo de 1958, 1962 e 1970. 

O auxílio será pago mensalmente pelo Ministério do Esporte para complementar a renda até que seja atingido o valor máximo do salário de benefício do Regime Geral de Previdência Social, hoje em R$ 3.691,74. Também haverá um prêmio especial para todos os ex-jogadores, pago uma única vez, no valor de R$ 100 mil.

Absurdo e vergonhoso é um país sem educação alguma, sem respeito ao seu professor, decretar feriado, férias em dias de jogo. O Brasil pára para ver a seleção entrar em campo e eu pergunto: o que ganhamos com isso? Na verdade, digo a você o que perdemos e olha que a lista será enorme, pois sei eu e mais milhões de brasileiros que de educação, saúde, você nada entende.

Absurdo Galvão é, foi e está sendo a construção milionária dos estádios para a copa, chegando a não ter utilidade alguma depois dos jogos. Sabe o que vai ser feito da Arena Amazonas?  Você sabia que o estádio Mané Garrincha, propagandeado pelo governo federal e pelo Distrito Federal como um exemplo de sucesso de público e renda, pode levar até cerca de mil anos para recuperar aos cofres do DF o valor investido na obra? 

Você sabia que governo do Amazonas ainda não sabe o que fará com a Arena da Amazônia depois que a competição acabar? A obra, orçada em R$ 605 milhões, deverá custar R$ 500 mil por mês em manutenção aos cofres públicos.  

E claro que você sabe muito mais do que eu, que nada sei de futebol, da vida dos jogadores, que quase não sei de nada sobre tudo. Sei apenas qual o meu dever pra criar sozinha uma menino de 14 anos, que estuda em escola municipal, não tem plano de saúde e depende de fonoaudióloga, psicóloga, injeção mensal contra uma alergia crônica, sem falar na alimentação controlada, em outros remédios do dia a dia  e tudo isso sai do meu bolso e não do seu. Não Galvão, eu não tenho vergonha de ser mãe, brasileira, guerreira, eu tenho vergonha sim é da falência múltipla da saúde e da educação. Isso sim me causa desespero, vergonha. Pense mais antes de falar - como se fosse possível, mas faça um esforço, em nome dos milhares de cidadãos torcedores brasileiros que escutam você ao narrar os jogos.  Por eles, em consideração a essa nação que ainda acredita que o nosso país tem jeito...pensar não custa nada. Um absurdo...

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